Domingo Nublado
O que fazer quando se está sozinho num domingo nublado? Assistir TV? Talvez. Comer bastante porcaria? Uma boa! Escrever escutando música? Interessante. Na verdade muitas são as opções. Isto é, muitas opções quando se gosta de ficar sozinho num domingo nublado! Agora, para àquele que não admira ficar só num gigante sofá com um controle remoto que mais parece uma bazuca, a imaginação tem que funcionar na tentativa de fugir da monotonia!
Se olhar na frente do espelho, ajeitar o cabelo do lado de cá. Não gostou!? Então joga ele pra lá e coloca uma rosa vermelha! Daí o brinco prata reluz o olhar alegre entediado. Uma roupa divertida, short branco e blusinha vermelha, para combinar com a rosa na cabeça. Importante combinação!
Nos pés um chinelo preto decorado com miçangas. E ela está pronta. Pronta para quê?
Oras, para assistir televisão! Rs.
Não, não. A escolha foi outra. Ela saiu toda arrumada, abriu o portão e a cabine mágica estava a esperar. Apertando o botão F3, a cabine começou a se mexer e ela saiu do chão. À velocidade de 150 km/h aquela alegre entediada se deslumbrou com tamanha paisagem abaixo de seus pés. Linhas territoriais que mais se assemelhavam com desenhos feitos do coração!
E o vento balançava seu cabelo, o sorriso não cabia mais ali. Com os braços abertos ela nada pensava, apenas curtia o breve momento de liberdade, de diversão! Ao avistar uma pequena montanha, ela desceu e deitou embaixo de uma seringueira. Ainda ventava muito. De repente um helicóptero apareceu e dele surgiram todas as amigas já esquecidas por ela. Que dia! Muitas risadas, conversa fiada, nada de tédio!
E num piscar de olhos estavam todas num parque de diversão. Todas numa montanha russa. Gritos por todo lado. Risos e gargalhadas. Após tamanha aventura todas correram para uma barraquinha de sorvete. Tomaram sorvete até a barriga estufar! Que dia maravilhoso! Pensava ela...
Abraçadas, caminharam até o banco próximo ao carrossel. E nesse momento relembraram os momentos mais divertidos e atrapalhados de sua amizade. Mas o dia já estava acabando e a cabine estava a apitar dizendo: “Está na hora!” Com lágrimas a escorrer, ela se despede das amigas. Ao subir à cabine acenos são disparados. E lá vai subindo, subindo, subindo...
De cima ela ainda consegue enxergar as amigas dando tchau. O vento faz secar as lágrimas. Ela voa com mais intensidade. Sem esperar, como um terremoto, a cabine começa a tremer e chacoalhar forte. Assustada ela fica sem saber o que fazer. Será que vai cair? Um barulho alto faz com que a cabine comece a despencar. Socorro! O que fazer?
Faltando metros para se espatifar no chão, ela senta em posição fetal e relembra o doce dia que teve. A cabine começa a apitar novamente. Ao se chocar com o solo, um impacto forte. Ao abrir os olhos, ela se encontra ali, deitada sozinha no gigante sofá. O controle remoto caiu no chão e a TV está ligada.
Que dia! O domingo nublado foi bom e ao mesmo tempo diferente na vida dela e de muitas outras pessoas. Quando se usa a imaginação, para coisas boas, podemos fazer e ser o que quisermos. Basta viajar nas cabines, naves, tapetes, etc. Cada um escolhe seu meio de transporte. E o resto, esse a gente colore e tenta fazer mais divertido e suportável. Viva o domingo nublado!
CAMILA CERVANTES
Escrito em 18/12/2008

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